Violência psicológica

| 3 de novembro de 2012 | 4 Comentários

Ela não deixa marcas visíveis no corpo, mas deixa feridas profundas. A violência psicológica provoca lesões graves na alma.  Embora, não esteja aparente, esse tipo de violência tem definição clara e ampla na lei brasileira.

Por Kátia Pereira

 

“Meu pai sempre dizia que mulher, merda e muleta se escrevem com a mesma letra. Eu acho que ele tinha razão”, diz uma paciente acostumada a humilhações.

Segundo a Lei Maria da Penha, a violência psicológica é entendida como “qualquer conduta que cause dano emocional à mulher e diminuição da auto-estima”. São características: ações que prejudiquem e perturbem o desenvolvimento da mulher, que degradem ou controlem suas ações, comportamentos, crenças e decisões, ameaças, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir.

“Concordo com essa definição, especialmente pelo fato de ela ser suficientemente abrangente para conter atos que geralmente não são considerados como violência, tais como tratar meninas e meninos de forma diferente em termos da obrigação com os trabalhos de casa” analisa a Professora Titular do Departamento de Psicologia da UFMG, Sandra Maria da Mata.

A violência psicológica é histórica e cultural. Sandra da Mata cita exemplos ainda da infância, como o caso de meninas de 8 anos que se tornam responsáveis por lavar vasilhas, fazer comida, cuidar dos irmãos, enquanto os meninos são deixados livres pra fazerem o que quiserem na rua. “Isso certamente prejudica e perturba o pleno desenvolvimento dessas meninas.”  A psicóloga comenta também as propagandas de cerveja que julgam o gênero feminino como objeto do masculino e os casos de maridos que humilham as esposas na presença de amigos.

Outra especialista no assunto, a psicóloga Adelma Pimentel, autora do livro “Violência Psicológica nas Relações Conjugais” (Summus, 152 págs, R$ 36,90), também observa precocidade dessa violência que, segundo ela, ainda é aceita. “Protegida pelo silêncio, incorporada pelos costumes, herança da sociedade patriarcal, ela se instala nos lares desde muito cedo, levando casais a estabelecer relações pobres e, muitas vezes, doentias”

De acordo com a Organização das Nações Unidos (ONU), no Brasil, dez mulheres são assassinadas por dia. Enquanto a agressão física grita em números, a agressão psicológica se alastra na surdina. No entanto, caminham de mãos dadas. “Há uma separação entre corpo e psiquismo, que só faz sentido para mostrar que a violência não fere só o corpo, mas fere também a alma. Porém, não existe, na verdade, essa separação, na medida em que um corpo ferido afeta a alma, e uma alma ferida mostra esse ferimento no corpo, no adoecimento e até na morte” explica Sandra da Mata.

 Vítima e Algoz

Infelizmente, ainda há homens que mantêm um comportamento preconceituoso que os leva a praticar a violência. Segundo Sandra da Mata, são homens machistas, cujos valores e normas têm como objetivo manter seus privilégios em detrimento dos direitos das mulheres, considerando estas como naturalmente inferiores a eles.

Nenhuma mulher está livre desse sofrimento ao longo da história. “Todas somos potencialmente vítimas do machismo, na medida em que somos socializadas para cuidarmos dos outros – as meninas ganham bonecas para aprender como cuidar. Isso, de alguma forma, torna a mulher dependente desses outros na própria constituição de sua identidade”.

Embora seja difícil admitir que aquele que se amou lhe provoque tanta dor, a mulher deve denunciá-lo ou está condenada a um sofrimento que só pode ter fim com sua própria vida. “Nós não podemos bater na porta de cada mulher que sofre violência e perguntar: ‘você quer ajuda?’. Ela é que deve se manifestar”, afirma a Delegada da Polícia Civil de Minas Gerais, Margaret de Freitas.


 

 

 

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Categoria: Combate à Violêcia

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Comentário (4 Comentários)

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  1. rose disse:

    OI,Kátia vou apenas desabafar:Certo dia voltando do trabalho , onibus cheio, sentei naqueles bancos prioritaros, um casal entrou a menina mais ou menos16 anos e o rapaz 22 porque ele citou.Ela gravida sentou naquela primeira cadeira ele ficou
    hem pe na frente dela e de frente para min o onibus muito cheio.ate ai normal, só que o pesadelo começou:ele tentava beija-la e ela virava o rosto como se estivesse sentindo nojo visilvelmente, e ele insistia e ela rejeitava tirando o rosto e olhando para a rua.So que ele insastifeito com a recusa a acusava ela de estar olhando para homens na rua.Ela nao falava nada ,ele enfiava as unhas no pescoço dela fazendo com que ela olhasse para ele.onibus cheio e eu e todo mundo vendo aquilo nao fazia nada.Cheguei a sentir nojo de mim.Ele a ameaçava com palavras falava que se ela nao ficasse com ele, ele a mataria ela e a familha e que ele pegaria 30 anos de prisao sairia com dez anos da cadeia ainda pior.Katia,sei que nao sou criança, conheço a realidade da vida, escuto a itaitaia, mas eu nunca vi tamanha violencia piscologica.Eu particulamente me sinto torturada.O pior ela convive com isso porque ele sitou coisas horrorozas da familia dela.NUm poto eu acho que foi por isso que ninguem se meteu.Ele falava passo a passo como ia ser o fim da familhia dela e ela como se nao estivesse ali fria e o iguinorando.Quando decemos do onibus nem quiz saber para que lado eles foram pois eu estava assustada demais.

  2. ana disse:

    Casei com um aparente príncipe encantado, que logo se tornou meu algoz. Como eu estava separada do meu 1.º marido e com um bebê de 6 meses. Estava juntando os meus cacos e tentando reconstruir minha vida. Encontrei o meu atual marido e agressor na empresa onde trabalhávamos.Ele era simplesmente lindo, corpo atlético, inteligentíssimo, trabalhador e super protetor – não pude acreditar que eu recém separada, com um bebê, passando por dificuldades financeiras graves poderia encontrar uma pessoa tão maravilhosa. O ciume excessivo eu julgava ser cuidado, mas passou a ser controle absoluto, tirava a quilometragem do carro pela manhã e quando eu chegava em casa. Não pude mais falar com minhas amigas, me fez jogar tudo no lixo tudo que lembrasse da minha vida antes dele (roupas, jóias, livros e cds) passou a ter ciumes do meu filho,mas ainda tratava meu filho igual ao dele (pois, ele também é separado e tem um filho). Eu não tinha mais controle dos meus cartões de crédito, alimentação e nem podia ir ao supermercado. Grávida, desmotivada, entristecida… Ele me dizia que gostava de mulher com bastante carne para pegar. Me trazia pizzas, massas, chocolates todos os dias. Eu não tinha prazer em me ver grávida, pois não parecia mesmo, estava tão gorda só usava camisetas enormes. Dizia que batom, maquiagem e unhas pintadas era coisas de puta e não de mulher casada. Perdi totalmente a vaidade, a vontade de viver, já com 6 meses de gestação, trabalhando fora meio período, cuidando do meu outro filho então com 2 anos e totalmente ligado ao meu marido. Ele começou a surtar quando contrariado, quebrava móveis, portas com socos e chutes. Sempre tive vergonha de contar para alguém o que acontecia em casa. Passei a não frequentar a casa dos meus pais, pois era visível meu estado de tristeza e relaxo comigo. E ele me dizia que eu era a mulher da vida dele que eu era perfeita…, mas também me dizia que eu era preguiçosa, incompetente, desorganizada, pois não conseguia deixar as camisas e ternos dele como a mãe dele deixava. Eu me sentia uma fracassada, pois não consegui me formar no meu tão sonhado curso de direito, ainda não conseguia cuidar de uma casa. Comecei a ficar acordada de madrugada para lavar, passar e cozinhar, pois ele também só almoçava e jantava em casa. Meus amigos do trabalho fizeram um chá de fraldas, chorei muito de emoção, mas também chorei muito de tristeza porque não sabia como chegar em casa com todos aqueles presentes e ele tinha sido bem claro que não permitiria visitas na maternidade e em casa. Fiquei na maternidade sozinha durante o dia a noite a mãe ficava comigo e ele festando longe de casa nos seus 5 dias de licença paternidade. Só recebi a visita dos meus pais que estavam cuidando do meu outro filho. Agressões físicas não me aconteceram, mas não entendia aquilo como uma agressão. Conversava com a mãe dele que me dizia que nós tínhamos que tomar jeito, pois ele sempre foi nervoso de quebrar coisas em casa e que eu não deveria provocá-lo. Fomos convidados para ser padrinhos de casamento do meu irmão, tivemos uma discussão na noite anterior e ele disse que não iria em “porra de casamento nenhum”, sempre me dizia “eu não tenho que me adaptar ao mundo – o mundo que se adapte a mim”… Mandei ele embora, ele juntou suas coisas a foi para a casa dos avós. Fiquei destruída, fui ao casamento sozinha com meus filhos, na hora tivemos que arrumar alguém para entrar comigo já que eu era madrinha. Foi muito constrangedor!!!Estava sozinha com meus filhinhos em um apartamento muito confortável até que começou a faltar as coisas em casa. Meu filho perguntava onde está o papai. Daí em uma consulta de rotina ao pediatra descobriu que o perímetro cefálico do meu bebê era menor do que o normal e que ele estava apresentando atraso neuropsicomotor e precisava de acompanhamento multidisciplinar, meu mundo caiu!!!!! Pedi para que ele voltasse para casa, quando ele chegou me abraçou e disse que nós iriamos cuidar daquela criança. Que se arrependia do que tinha feito (inclusive das traições – embora nunca tenha admitido quantas). Sendo um bom pai, um bom marido nas aparências, pois não medida do possível para ele não surtar eu fazia tudo que ele queria, para as crianças não o virem surtar e quebrar o resto das coisas que ainda tínhamos. Então pensei e propus a ele que iniciasse uma faculdade para canalizar toda aquela energia, ele me deixou fazer a inscrição e escolher o curso. Escolhi o curso de direito. Ele falou para eu fazer também, mas a intenção dele era provar que era melhor do que eu. Então ele estudou por 6 meses e eu fiquei com toda a responsabilidade de casa, crianças, terapias do bebê e cuidados com o filho dele do primeiro casamento. Comecei a ouvir aulas on-line enquanto limpava a casa e em qualquer lugar que dava eu estava estudando. Consegui uma bolsa pelo Prouni de 100% no curso de Direito. Ele conseguiu uma bolsa de 50%. Contei para todo mundo e daí ele não pode me proibir. Fiquei muito feliz!!! Voltei a amor próprio. Faculdade pela manhã, trabalho a tarde, casa, crianças a noite e nos fins de semana tinha mais uma criança para cuidar, pois o filho dele vinha passar fins de semana, feriados e férias conosco. Comecei a cobrar uma atitude colaborativa em casa.Ele me disse que eu fiz uma escolha e que eu me virasse para dar conta, que não era o momento dos dois fazer faculdade ao mesmo tempo. Ele sempre jogou a responsabilidade das escolhas, inclusive as dele sobre mim, mas eu também teria que arcar com o ônus sozinha. Tem decisões e posicionamentos que não podemos transferir ao outro, pois é algo inerente só aquela pessoa. Por exemplo a responsabilidade de acordar no horário. Eu estava esgotada com toda aquela rotina e tristeza, logo nossa vida sexual não era mais a mesma, pois ele queria que eu largasse tudo (afazeres domésticos)para ficar com ele. Daí ele começou a ficar até quase amanhecer na internet) logo não conseguia acordar no horário. Eu podia colocar uma orquestra dentro do quarto que ele não acordava. Eu tinha meus compromissos, deixava seu café com um misto quente todos os dias ao lado cama, dava café para as crianças e descia sozinha com um monte de malas e crianças para não chegar atrasada na faculdade. Sabia que a noite ia ter quebração de móveis e gritos por conta do horário perdido. Dizia que estava sozinho mesmo, para que ter mulher se só servia para atrapalhar sua vida. Comecei a tomar estimulantes para render mais, inclusive sexualmente… Ansiosa, sem tempo de assistir um filme, o sexo passou a ser nossa válvula de escape. Permiti que ele filmasse, colocasse na internet, queria que eu conversasse com outros caras, as vezes ele conversava com outros se passando por mim. Percebi que a perversão estava fugindo do controle, passei a incentivá-lo a buscar grupos de pesquisa, monitorias, atividades acadêmicas extracurriculares e até a viajar com os amigos, para que nosso lar pudesse ter paz. Ele se destacou em todas as atividades acadêmicas, publicou artigos e até escreveu livros enquanto acadêmico. Por conta de tudo isso, engordei 30 kilos, ganhei uma úlcera, meu fígado está comprometido, meu colesterol está estourando e para ninguém ver que estou sofrendo eu para o carro na rua compro um monte de lanche e daí eu como e choro. Estou escrevendo minha monografia e agora ele não consegue mais me atingir com suas ofensas, pois acho que a para mim a pior fase já passou que foi quando pensei em me matar e matar meus filhos, graças a Deus cresci em um lar de muito amor e respeito, nunca presenciei uma discussão dos meus pais e sei que isso é muito importante para uma criança. Ele continua com um comportamento explosivo e muito agressivo, mas agora é diferente ele passou a agredir as crianças com xingamentos e jogos psicológicos que os deixam muito confusos com um misto de amor e ódio pelo pai. Ele compete por espaço e amor com as crianças. Ele não consegue entender o amor incondicional de mão com os filhos. Ele xinga as crianças de idiotas, PDP(s). Quando ele está em casa as crianças ficam mudas, escondidas. EU COMO MÃE SOU RESPONSÁVEL PELA SAUDE FÍSICA E MENTAL DOS MEUS FILHOS. Já pedi a ele para não brigarmos na frente das crianças e ele me berra e esmurra armários “que eles tem que saber que a vida não é fácil”. No último fim de semana eu estava muito gripada, depois do meu filho mais novo (hoje já com 5 anos) ficar 10 dias de cama. O meu marido chegou em casa às 07:horas da manhã. Nem pergunto mais nada!!!! Ele tinha que acordar às 09 para um compromisso importante é claro que não acordou e eu não consegui acordá-lo. Quando acordou fez um escândalo e jogou o celular em mim. Disse que estava indo embora, falei para ir e tá ajudei a fazer as malas. Depois voltou chorando e dizendo que me amava e que estava muito estressado. Me mantive firme, me dizendo ainda em tom de ameaça que como seus avós não o aceitaram em casa novamente ele estava levando os cartões, os computadores, inclusive o que uso para fazer minha monografia, pois ele não poderia arcar com despesas de duas casas e que só com o meu trabalho eu não consegueria manter minhas despesas e que provavelmente teria que trancar o resto da minha faculdade. Tomei coragem e gritei mais alto que a casa é minha e que alí ninguém grita ou bate em ninguém e que a porta da rua é serventia da casa. Ficou enfurecido, fiquei com medo de morrer, escondi as crianças sob os cobertores e falei para sairem só quando a mamãe fosse buscá-los. (Hoje ele está quase formado, já tem uma carreira pública reconhecida e ligações com juízes e desembargadores) aí que me deixa intimidada, pois ele disse que vai tirar meu filho de mim, justo o que mais precisa de mim (ainda usa fraldas com 5 anos, não se sabe qual o grau de comprometimento cognitivo) mas sei que é uma anjo especial que veio para me salvar. Resolvi escrever minha história nunca contada a ninguém, foram 7 anos de relacionamento, muitas conquistas juntos, muitas coisas (por incrível que pareça)boas. Mas em nome do bem estar dos meus filhos eu o aceitei de volta em casa, mas estou denunciando-o na Delegacia de Proteção à Mulher, na delegacia de Proteção à Criança e na Comissão de Proteção aos Direitos Humanos. Se eu não tivesse um vínculo muito forte que é nosso filho eu simplesmente separaria, mas meu filho é uma criança iluminada e precisa de todo o apoio familiar que existe. Quero poder encorajar outras mulheres a denunciar seus companheiros e a exigir do poder público que aja de forma efetiva não só punindo o agressor com a mesma violência que nos foi empregada, mas que obrigue o agressor às medidas médicas. Pois só quem convive com uma pessoa assim sabe que esse tipo de comportamento não pode ser de uma pessoas saudável e o pior é que não se vê como um agressor e ainda se recusa a tentar entender o que acontece consigo e procurar ajuda médica.
    Agradeço a oportunidade, me sinto aliviada de ter podido contar para alguém minha história.

  3. Almira disse:

    Obrigada por seu depoimento, tive um relacionamento de 4 anos semelhante ao seu mas não tive filhos e agora estou separada. Desejo a você muita força e coragem, que Deus te abençoe e a seus filhos também. Um abraço.

  4. Viviane disse:

    Boa Noite eu não sei o que fazer meu pai agredi fisicamente e psicologicamente eu falei pra ela ir na policia mas ela tem medo e u moro em outra cidade longe dela não sei o que fazer ele quer mudar de lá para um lugar no meio do mato distante para poder fazer o que ele quer,ele esta enlouquecendo fica a noite inteira andando pela casa e vende tudo que tem e ele não usa drogas não,não sei o que fazer se eu tivesse minha casa eu levava ela mas moro com minha sogra

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